Na Venezuela, brasileiros fogem de bombas para retornar ao país

AE Agência Estado AF Agência France-Press

O fechamento da fronteira entre Brasil e Venezuela, determinado pelo presidente Nicolás Maduro na quinta-feira (21/2), vem impedindo a saída do país vizinho de aproximadamente 70 turistas brasileiros. O grupo passou a madrugada desta terça-feira (26/2) no vice-consulado em Santa Elena do Uairén, cidade venezuelana mais próxima de Roraima.

A representação diplomática brasileira aguarda um comunicado de Caracas para iniciar o traslado do grupo em ônibus. Só com esse aval, os militares chavistas abrirão a passagem na fronteira. Muitos turistas que faziam compras ou visitavam amigos dormiram no chão do vice-consulado para não perder a preferência na fila de inscrições — desde sábado, o Consulado do Brasil em Caracas envia formulário aos brasileiros perguntando se têm interesse em sair de lá.

Segundo o vice-cônsul do Brasil em Santa Elena do Uairen, Ewerton Oliveira, não há previsão de quando a passagem será liberada. “Eles ainda não vão sair agora”, afirmou nesta terça-feira, depois de cruzar a fronteira para buscar água e alimentos ao grupo.
Caminhada de três horas

Tratativas semelhantes deram certo para permitir a passagem de um grupo de 25 turistas que fazia uma caminhada de oito dias no Monte Roraima e também ficou retido em Santa Elena. Com uma autorização especial obtida após apelos diplomáticos e tratativas militares, eles foram escoltados pela Guarda Nacional Bolivariana (GNB) até o lado brasileiro da fronteira.

Esse grupo teve de permanecer em Santa Elena durante os conflitos entre militares e paramilitares leais a Maduro e venezuelanos insatisfeitos, no sábado passado. Autoridades locais falam em 25 mortos e mais de 80 feridos na localidade.

“Quando baixamos do Monte Roraima, há quatro dias, fomos para o consulado, porque não podíamos passar para o Brasil. Havia tiroteios, bombas de gás lacrimogêneo. Tivemos de circundar a zona de conflito, caminhando por mais três horas”, contou o geólogo e guia turístico Alexander Cordero, de 46 anos, que acompanhou o grupo na viagem.

“Os turistas estavam felizes, mas quando viram tudo, uma começou a chorar e eles ficaram estressados”, completou o venezuelano, que não conseguiu autorização para deixar sua terra natal e teve de voltar ao Brasil por trilhas abertas na mata. Ele percorreu um trajeto de mais de cinco horas para escapar dos militares venezuelanos.

Caminhoneiros detidos

Segundo oficiais do Exército brasileiro, há uma diminuição da tensão na fronteira, com aberturas pontuais do bloqueio para a passagem de brasileiros. As tratativas também envolvem um grupo de 30 caminhoneiros retidos na Venezuela – 21 carretas estão recolhidas em um pátio da aduana venezuelana.

Segundo o caminhoneiro brasileiro Junior Vieira, a Guarda Nacional Bolivariana (GNB) permite a passagem pela mata para tomar banho e comprar mantimentos no Brasil. Eles, porém, retornam à Venezuela para dormir nos caminhões. “Eles já nos conhecem, então fica mais tranquilo”, disse Vieira. Os motoristas têm reclamado dos venezuelanos radicados em Pacaraima, que provocaram confrontos com militares chavistas, aumentando a tensão.

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